La vélo duchene: as crónicas de André Carvalho

duchene

Well-Known Member
#41
@Bruso
O saco que viste poderá ser um Carradice... não fossem eles feitos localmente!

Quanto os meus, se calhar é mais fácil fazer aqui uma panorâmica geral daquilo que transporto em cada bolsa...

Bolsas de guiador: alimentação, telemóvel e máquina fotográfica
Bolsa do top-tube: Mascote, bolsa dos pequenos objectos sortidos, porta-moedas e GoPro.
Bolsa do quadro: Kit de ferramenta e material de substituição, documentação, powerbank, manta de emergência e ainda sobra meio saco que utilizo consoante o kit de roupa ou a duração da viagem. Serve essencialmente para armazenar o corta-vento, as luvas, os manguitos e os pernitos quando alterno entre frio e calor. Alternativamente dá para armazenar umas compras de supermercado para consumir mais tarde ou para um par de maçãs que encontre pelo caminho...
Bolsa de selim: Pneu suplente, roupa e carga adicional que seja necessário.

Para multi-dias, entram mais algumas coisas como uma toalha, produtos de higiene e eventualmente roupa "civil". Depende sempre do contexto e do que espero necessitar para determinada viagem.

O conjunto das bolsas incomoda tão pouco que nem me dou ao trabalho de as tirar. Se for um dia mesmo solarengo e a distância curta, prescindo do saco de selim. O resto anda sempre com a bicicleta. Assim sei sempre onde está cada coisa e não tenho de andar a adaptar o conteúdo ao número de sacos que levo.

E sim, carrego muita coisa e nunca precisei de 50% do que levo, mas se um dia precisar a 150km de casa, sei que está comigo! :)

@vhugocosta
Para quem mora na área metropolitana do Porto, o posicionamento geográfico de Caíde é bastante bom. Num raio de 30km conseguimos estar na Serra do Marão, no Montemuro e num punhado de outros sítios bem interessantes para lançar aventuras diferentes e evitar o aborrecimento de andar a repetir estradas nas redondezas da metrópole.

Pelo preço do bilhete (2,95€ desde Porto - São Bento) e pelo adicional de segurança de não ter de utilizar as estradas mais movimentadas da região, é algo que considero sempre para o arranque de uma volta. Peca contudo pelo facto do comboio mais madrugador de sábado só lá chegar às 7h30 da manhã...

Por isso tem sido uma excelente opção na busca de mais estradas desertas e fascinantes!
 

duchene

Well-Known Member
#44


Quando o inesperado chama, as memórias acontecem.
Arredores do Miradouro da Junceda · Parque Nacional da Peneda-Gerês ∙ Novembro 2017

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Como tinha prometido no manifesto de regresso deste tópico, irei amiúde remexer os meus arquivos fotográficos em busca de registos interessantes que possa partilhar convosco.

Não existe propriamente nenhum fio condutor que condicione a escolha das imagens que irei publicando. Não serão seguramente fotografias tecnicamente perfeitas, podem ou não incluir uma bicicleta e, garantidamente, não serão “a melhor fotografia do dia” ou a “melhor fotografia alguma vez feita sobre este lugar!”. O único pressuposto com que as selecciono é o de que evoquem uma pequena memória pessoal e sejam motivo para contar uma história ou para dar a conhecer um lugar interessante por onde terei passado, numa das muitas aventuras que fiz ao longo de todos estes anos de pedaladas. Uma viagem visual ao sabor da estrada… ou até mesmo fora dela!

E fora de estrada é mesmo como vou começar esta divagação, com uma fotografia feita a poucos metros de um dos miradouros mais interessantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês: o Miradouro da Junceda. Nesse dia de Outono nem sequer estava nos planos este desvio, uma vez que o dia já ia avançado e o risco no mapa mandava seguir para a albufeira da Caniçada e daí para Braga. Mas, felizmente, a minha curiosidade levou a melhor!

Pendurado num afloramento granítico a cerca de 900m de altitude, este miradouro certamente recebe poucos viajantes transportados por uma bicicleta de estrada… Isto porque visita-lo implica uma viagem de ida e volta com cerca de 6km, em sterrato, a partir da via asfaltada mais próxima. E apesar de ser relativamente ciclável, esta a subida apresenta alguns pontos de maior dificuldade, cortesia das areias graníticas que revestem o estradão de acesso ao alto e que teimam em engolir tão esguios pneus...

Mas também é verdade que qualquer dificuldade é facilmente ofuscada pelas vistas absolutamente incríveis! Durante a subida somos presenteados com a panorâmica a Norte, tendo a Serra Amarela e a Serra da Peneda como exuberantes protagonistas. Chegados ao alto, no miradouro em si, a recompensa é uma vista única e vertiginosa sobre o vale do Rio Gerês e as suas vincadas encostas, com a Vila do Gerês transformada em pouco mais do que uma miniatura de civilização encravada no meio do verde da encosta. De entremeio, um belíssimo estradão de montanha que serpenteia serra acima, ora pendurado na extremidade do abismo, ora protegido e ladeado de saudável arvoredo.

No alto quedei-me uns bons minutos em contemplação e reflexão, antes de embarcar na divertida viagem de regresso à cota baixa, com o entusiasmo da velocidade a ganhar à prudência em alguns troços da descida...

Certamente que não dei o tempo como perdido e o desvio revelou-se uma óptima surpresa no meio do pequeno périplo que fiz nesse dia, por alguns dos pontos de interesse ciclístico do Gerês e onde também visitei o sobejamente conhecido Miradouro da Pedra Bela, a preciosa Mata da Albergaria e a inolvidável estrada da Calcedónia. Muito mais haveria para ver, mas há que deixar sempre algo novo para futuras incursões. Aliás, o Gerês tem o perigoso condão de nos fazer pensar muito na fórmula "n+1"...

Veremos o que o futuro reserva. Até lá, ficam com este pedacinho de passado!
 
#45
Boa foto, pena aquele incêndio lá ao fundo :( mas até isso fica imortalizado.

Qual a máquina fotográfica que usas? Lembro-me de ler uma crónica tua em que a Powershot S95 "ganhou asas". Na altura essa história "tocou-me" porque tenho uma máquina igual. E já agora, reparei que as fotos têm uma edição muito parecida entre elas, que programa usas? Lightroom com uns presets?
 

duchene

Well-Known Member
#46


@jocarreira:
Presumo que estejas a falar da fotografia acima, que imortalizou com intenso dramatismo o inesperado voo da minha S95 de encontro ao pavé...

Infelizmente a queda foi mesmo fatal e nunca consegui que voltasse a funcionar. Jaz ali no armário junto à S90 que a precedeu, também essa definitivamente inutilizada. São (verdadeiras) compactas e bastante competentes em termos de qualidade de imagem e usabilidade. Mas não tive grande sorte com estas duas em particular.

Depois da primeira S90 e da S95 consegui encontrar novamente uma segunda S90 que continua ao serviço... pelo menos até eu lhe fazer uma maldade qualquer!

No caso particular da fotografia da Junceda, nesse dia estava a testar uma Panasonic LX15. Apesar da assinalável qualidade de imagem, não é máquina prática para estas aventuras e muito menos para as minhas mãos grandes... mas decerto que fez alguém muito feliz, algures.

Para editar todas as imagens utilizo o Lightroom, com dois presets que criei e fui afinando ao longo dos anos. Nada de muito elaborado, porque para demorada já basta a escrita!
 
#48
Olá André, deixei de visitar o forum já há algum tempo, por diversas razões, mas a principal foi a ausência das tuas crónicas.
Hoje por acaso lembrei-me de verificar se eventualmente terias voltado "às lides" e que bela surpresa me esperava.
Bem vindo de volta e peço-te por favor que com mais ou menos tempo, com mais ou menos pormenor, com maior ou menor frequência. o que importa é que nos continues a presentear com as tuas magnificas crónicas. Um Grande bem haja.