Chegou a hora do disco.

jpacheco

Well-Known Member
Discordo completamente do conservadorismo do consumidor Mig. O consumidor é esperto. Quando as alterações/inovações são claras e boas as pessoas mudam. Agora quando há vários modelos, uns mais seguros que outros...a insegurança no produto, é um grande revés á mudança. Os fabricantes que se entendam, lancem standards em termos de tamanhos, apertos etc... que forneçam segurança irrefutável em termos de design e materiais e a mudança será do dia para a noite.
 

MigC77

Well-Known Member
Pacheco, estás no teu direito de discordares mas estás errado especificamente em relação ao ciclista-consumidor. A grande maioria é tremendamente conservadora! Tens n exemplos que provam isso como os que já dei em relação ao btt, mas existem mais…

Até na adopção de variações ao material já existente há resistência à mudança. Sem ir mais longe os pedaleiros compactos! O preconceito que ainda existe por parte de alguns em relação a isto. Está mais do que “provado” que para a maioria dos cicloturista/amadores é mais recomendável este tipo de pedaleira para um uso “completo” em qualquer tipo de terreno no entanto ainda muita gente passados anos olha de lado para esta opção. E isto não tem nada a ver com segurança. Tem a ver com aquilo que lhes incutiram, com conservadorismo, etc…

Tens malta que olha com desconfiança para os quadros de carbono e diz que aço é que é! ;)

Tens montes de exemplos que te provam que o mundo da bicicleta é conservador e pouco aberto à mudança.

Acho engraçado quando um ciclista fala de “segurança”… O ciclismo para começar não é o desporto mais seguro à face da terra. Todos nós quando saímos para pedalar sabemos isso. Se para nós a segurança e a nossa integridade física fosse a maior prioridade não saímos vestidos com lycra ;) Qualquer quedazinha da treta e f@demos-nos todos. A última queda que sofri, que como algumas pessoas do fórum presenciaram (em Palmela), foi uma quedazinha de nada e no entanto tive que ir durante quase 3 semanas de x em x dias ao posto médico trocar o penso da ferida/queimadura que fiz no ombro devido à fricção com o asfalto.

Isto logicamente não invalida que eu concorde contigo quando referes que os fabricantes devem sempre lançar e evoluir os produtos tendo em conta questões como a segurança. No entanto em relação aos discos, podes ter a certeza que se não fosse a segurança, seria o peso acrescido ou outro argumento qualquer… ;) É filme que eu já vi… lembro-me bem como foi no btt.

Em relação à notícia que o pratoni postou, tendo em conta o que se vê no video parece-me que efectivamente aquela ferida pode ter sido causada pelo disco da Roubaix ao contrário dos casos do Ventoso (que já ficou provado que não foi um disco) e do Doull.

Não percebo é a razão pela qual ele enviou as fotos à Specialized e diz que ficou desapontado com a resposta… De que é que ele estava à espera???? Se ainda tivesse enviado as fotos à Shimano (fabricante do disco em questão) ainda percebia… Agora a Specialized????LOL Desapontado devia ter ficado com o tipo da Roubaix que ia olhar para o lado em vez de estar atento ao que se passava à sua frente!

Abraço
 

pratoni

Well-Known Member
Sim nesse vídeo percebe-se bem que, no embate, a roda/disco ficou ali a roçar em algo (perna do gajo que estava parado) até se imobilizar e o gajo da specialized cair para o lado.

Sinceramente sempre pensei que isto do perigo dos discos estaria a ser demasiado empolado mas, ao ver provas da facilidade com que isto pode acontecer, para além do estrago feito, percebo quem anda a levantar a voz para que se arranje forma de evitar este perigo ou diminuir os estragos potenciais..
 

jpacheco

Well-Known Member
Antes de mais as melhoras Mig.

Piqueite porque gosto de te ver argumentar... confesso que foi propositado. Claro que quando falava no conservadorismo do consumidor estava a tentar ser generalista e não queria focar-me unicamente no consumidor de bicicletas. Não fui muito claro. Um produto novo, que é abalado constantemente pelas noticias de falta de segurança, que se vai vendo, é um produto que terá muita dificuldade em penetrar no mercado. Se os consumidores são conservadores? Ai poderia concordar contigo.. de certa forma o são. Mas eu diria que são mais inteligentes do que conservadores. Eu dificilmente comprarei uma bike de discos enquanto os fabricantes não se entenderem com os standards. E todos sabemos da implicação que irá ter a falta de normalização deste novo elemento. A normalização irá definir tamanhos materiais larguras e distâncias etc etc... que irá inevitavelmente tornar o mercado mais apetecível e seguro.

Estão a ir pelo caminho de penetrar no Worldtour, com a ideia que irá acelerar o esse processo de normalização... em vez de se entenderem entre eles.
 

MigC77

Well-Known Member
@pratoni, concordo contigo que este video ilustra bem o perigo do disco. Mas se queres que te seja sincero acho que aqui estamos perante o pior cenário possível! Diria mesmo que o indivíduo que filmou dificilmente poderia ter tido mais azar! Senão repara bem no video:

- o primeiro gajo que se enfaixa nele (o de colete amarelo) em vez de levar as mãos nos hoods (o que seria normal uma vez que vai em grupo com ciclistas à sua frente) para poder travar rapidamente em caso de necessidade vai com as mãos mais atrás. No momento que se apercebe que tem que travar vai apenas com uma mão ao travão mas já nem sequer chega à tempo. Nota que tenta alcançar o hook em vez dos hoods!

- o segundo gajo que se enfaixa nele, o tal da Roubaix com travões de discos, minha nossa Sra! Para além de ir a olhar para todo o lado menos para onde devia, quer me parecer que nem sequer chega a fazer uso dos travões! No filme vê-se que a manete do travão do lado direito (que no Reino Unido é a manete do travão da frente) não é usada, logo a roda da frente pára graças à fricção do disco na perna do tipo que estava a gravar.

Realmente aqueles dois tipos devem ter muito pouca experiência numa bicicleta. Bastava que o tipo da Roubaix tive aconchegado o travão da frente para ter reduzido a rotação da roda da frente e mesmo que tivesse havido contacto com a perna do ciclista da frente o ferimento teria sido muito menor ou quase inexistente. O que vês aqui como tu próprio referes é a roda a rodar encostada à perna do tipo da frente. Coitado! A perna dele fez as vezes das pastilhas de travão!

@jpacheco, obrigado pelas melhoras mas esta queda já foi em Julho de 2016 no passeio que o pratoni organizou na Arrábida. Felizmente já recuperei! Ficou apenas mais uma marca para a colecção ;)

Sabes o que me surpreendeu nos comentários à noticia? É que muitas pessoas culpam mais a azelhice dos companheiros do que propriamente os discos! Mas tens razão, o caminho para implantação dos discos não tem sido nem será fácil porque como bem dizes existem muitas vozes que se insurgem com o acréscimo de perigosidade que os discos aportam. Sobretudo quando se entra na histeria de que qualquer corte numa queda é culpa dum disco, como foi o caso do Ventoso e do Doull.

Concordo com a tua postura de esperar até que a tecnologia e os standards estejam consolidados. É um bom principio! Eu sempre disse aqui no fórum que neste apartado dos discos fui um pouco “early adopter” mas não me arrependo. Acho que nesta fase, em relação aos discos, já existe um certo consenso. Quem comprar hoje um quadro compatível com flat mount brakes e thru-axles julgo que estará alinhado com a industria a médio prazo.

Podem lançar discos com as arrestas mais arredondadas, podem lançar protecções, etc… mas tudo isso certamente será compatível com um quadro actual.

Outro aspecto que eu acho que será fundamental é uma descida dos preços. Acho que os preços dos travões hidráulicos de estrada estão super inflacionados! Comparando gamas equivalentes de estrada e btt:

https://www.bike24.com/1.php?content=8;product=166431;menu=1000,2,15,117;mid=0;pgc=0;page=2
https://www.bike24.com/1.php?content=8;product=102807;menu=1000,4,320,322;mid=0;pgc=0

Ok é preciso somar os shifters de btt https://www.bike24.com/1.php?content=8;product=124099;menu=1000,2,116;pgc[2112][9660]=1;page=2

Estamos a falar de mais do dobro… Não brinquem connosco!

Abraço
 

RTC

Moderador
Staff member
ainda sobre o disco...
Penso que o @RTC andava com bombas de disco da TRP que são mecânicas/hidraulicas, qual o feedback disso? vale a pena para o ciclocrosse/gravel?
Não ando.
Cheguei a comprar uns mas enviaram-me na cor errada e devolvi. Depois optei por trocar por outro componente.
Continuo com mecânico à mesma.
Mas um amigo tem uns HY/Rd numa Boone que usa em gravel e não tem queixas. Funcionam muito bem e têm um belo tacto. ;)
 

RTC

Moderador
Staff member
Os totalmente hidráulicos não justifica em grande parte dos casos, a não ser que a bicicleta já venha montada com eles.
Agora para quem quer fazer uma montagem e quiser gastar pouco há muito bons travões mecânicos que fazem o serviço. Os semi-hidráulicos são o melhor de dois mundos mas nestes, não há assim muita oferta.
Eu tenho os CX-77 e têm servido. Mas a comprar mecânicos, compraria os TRP Spyre.
 
A minha questão depara-se com: A água e lama, podem entrar nas bichas dos travões e ai causarem atrito, dessa forma os hidro/mecanicos em nada adiantam porque o problema é o atrito produzido pelo cabo...
 

RTC

Moderador
Staff member
A minha questão depara-se com: A água e lama, podem entrar nas bichas dos travões e ai causarem atrito, dessa forma os hidro/mecanicos em nada adiantam porque o problema é o atrito produzido pelo cabo...
Já passei por muita lama e nunca tive esse problema. E isto numa bike com cabos por fora!
Hoje em dia é quase com passagem de cabos interna, o que evita a entrada de lama e água para dentro das bichas.
Agora vantagem dos hidráulicos poderá ser na força que dão aos bombitos do travão na recuperação, em caso de muita lama. Neste aspecto os meus CX 77 falham porque o cabo só puxa um. O outro é fixo. Nos TRP já não. Mesmo os Spyre, o cabo puxa ambos os bombitos.
 
Ainda há uns dias, estava a ver um video dos gajos do GCN em que faziam descidas de montanha em bicicletas de estrada com travões "convencionais" e com travões de disco e mediam as diferenças entre ambas e fizeram um teste engraçado, pegaram num chouriço e meteram a roda a andar e encostaram a roda ao disco de travão. O chouriço ficou com um corte e ligeiramente queimado, talvez pela fricção. Depois fizeram o mesmo mas, desta vez encostaram o chouriço aos raios da roda. Bem, o chouriço ficou completamente desfeito! Os raios funcionaram como autenticas laminas o_O
 
A minha questão depara-se com: A água e lama, podem entrar nas bichas dos travões e ai causarem atrito, dessa forma os hidro/mecanicos em nada adiantam porque o problema é o atrito produzido pelo cabo...
Se reflectir um pouco, e com a analogia ao BTT que é assim há milhares de anos com os sistemas de mudanças e com os bloqueios de suspensões por cabo (porque há igualmente hidráulicos) vai ver que não é problema assim tão recorrente...
 

ruilebs

Well-Known Member
#off-topic
no vídeo vê-se que o gajo ainda demora um bocado a chegar ao travão e qd lá chega "já foste"
nunca percebi porque tiraram aquele travão que existia dantes que permitia acioná-lo com as mãos em cima, na posição mais confortável. Era bastante feioso, mas dava cá um jeito! :D