Para reflexão: retirado de Facebook em 02Abr. Autor Luis Carvalho
"Os números trágicos do RASI 2024 (de que ninguém fala!)
Tenho por hábito analisar os dados do Relatório Anual de Segurança Interna focando-me num tipo de criminalidade que sendo muito grave nos seus efeitos em termos de vítimas mortais e feridos graves não é considerada como tal para efeitos do referido relatório. Falo da criminalidade rodoviária, que, apesar dos números sempre negros, não gera perceções de insegurança nem é destacada por especialistas em segurança, vá-se lá saber porquê.
Para começar, e sobre sinistralidade rodoviária, o RASI 2024 começa por afirmar que “Portugal produz resultados estatísticos em termos equiparados aos seus homólogos europeus”, para, logo a seguir, se escrever que “Portugal registou 60,8 vítimas mortais por milhão de habitantes enquanto que a média da EU27 foi de 45,6”!!!
Depois muito temos ouvido falar dos crimes de delinquência juvenil que aumentaram 12,5%, um aumento de 6,8% dos ilícitos praticados em contexto escolar e que os roubos a residências aumentaram 10,9%, ou o crime de violação que teve um aumento de 9,9% e o roubo por esticão com mais 8,7%. Mas ninguém falou que, em relação a 2023, houve um aumento dos mortos por atropelamento de 21%.
Também ninguém falou do facto de o RASI 2024 referir que houve uma diminuição de 19% em relação aos autos de contraordenação, e uma diminuição de 37% dos autos decididos e uma diminuição dos autos cobrados de 37,5%. Sobre o mito da “caça à multa” estamos conversados. Não espanta que, consequentemente, a criminalidade rodoviária registada tenha tido um decréscimo substancial de 24,3% em relação a 2023 o que, certamente, não se explica, se analisarmos a sinistralidade verificada, por os condutores terem passado a adotar posturas de maior cumprimento das regras do código da estrada.
Era sobre isto que os jornalistas deviam questionar os governantes e que estes deveriam explicar em vez de nos quererem entreter com "perceções"."