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Bicicletas apreendidas em Lisboa

Ludos

Member
SOIGNEUR
É um tema que me tem chegado através das redes sociais nos últimos dias.

Não será um tema que diga muito à malta aqui do fórum (digo eu), porque encaramos as bicicletas mais na vertente desportiva e recreativa do que propriamente como meio de deslocação (apesar de eu usar a bicicleta no meu dia a dia), mas eu gostava de saber a opinião do pessoal por aqui, já que aquilo que me tem aparecido, parece-me algo bastante enviesado.

Então, resumidamente:

Desde o final do mês passado que a Policia Municipal de Lisboa começou a retirar bicicletas presas a postes de iluminação, sinais, corrimões e similares que permitem prender uma bicicleta com cadeado.

Alguém fotografou um policia com uma rebarbadora a cortar um cadeado e uma carrinha de caixa aberta com bicicletas lá dentro, partilhou nas redes sociais, a acusá-los de roubo e gerou-se celeuma.

Estas bicicletas, podem evidentemente ser recuperadas pelos seus proprietários se forem à polícia e pagarem uma taxa.

Estas acções não são uma medida nova, consta que entre 2024 e 2025 a policia já tinha removido cerca de 11 mil bicicletas/trotinetes.

Entretanto claro, isto propagou-se, e mais videos de pessoal a queixar-se, que é dificil guardar uma bicicleta em casa em Lisboa, porque as casas não têm elevadores, ou as escadas são estreitas, ou as bicicletas pesam 14kg ou mais 20kg se forem electricas (a sério que há malta a deixar e-bikes amarradas ao poste??) e toda uma lógica de argumentação de "os carros podem tudo" e as bicicletas não podem nada.

Qual é a vossa perspectiva em relação a isto?
Onde está a razão? Do lado da policia? Do lado destes utilizadores de bicicletas?

Quem estiver a fim de saber mais sobre este assunto, pode ler aqui
 

Primeira Leve

Active Member
Dando os meus dois tostões rapidinho antes de ir aproveitar este dia bom, diria que para é uma coisa, estacionar é outra.
Uma coisa é para a bicicleta com cadeado e tomares um café ou almoçar, outra coisa é deixar a obstruir a via pública.

E aqui podemos começar a olhar para o outro lado da moeda e falar de "mobilidade", onde podemos incluir ferramentas que favoreçam essa mesma mobilidade, onde podemos incluir locais de estacionamento para as mesmas.
 

pratoni

Well-Known Member
SOIGNEUR
Eu simplesmente acho que é roubo de propriedade alheia.
Onde "retiraram" as bicicletas havia forma legal alternativa de deixar a mesma? Se sim até compreendo e posso aceitar, se não é simples roubo e destruição de propriedade alheia.
Indemnizam o cadeado destruído?
 

xtpo

Active Member
A Junta de Freguesia da Penha de França contactou a Polícia Municipal e recebeu a informação que "esta se encontra a desenvolver uma ação em toda a cidade destinada à remoção de bicicletas, motas e viaturas abandonadas na via pública.

Neste momento, a intervenção incide sobretudo na retirada de bicicletas obsoletas, nomeadamente sem rodas, enferrujadas ou partidas que se encontram no espaço público e as que se encontram amarradas a sinais de trânsito e corrimãos"

Se estiverem a cumprir isto acho correto. Há imenso lixo na via pública.
 

Primeira Leve

Active Member
Eu simplesmente acho que é roubo de propriedade alheia.
Onde "retiraram" as bicicletas havia forma legal alternativa de deixar a mesma? Se sim até compreendo e posso aceitar, se não é simples roubo e destruição de propriedade alheia.
Indemnizam o cadeado destruído?
É isto que defendo: "Onde "retiraram" as bicicletas havia forma legal alternativa de deixar a mesma?"

Temos de evoluir nesse aspeto em Portugal, ainda que tenhamos feito um caminho positivo nos últimos anos.

Mas bicicletas a obstruir a via publica não.
 

Ludos

Member
SOIGNEUR
Onde "retiraram" as bicicletas havia forma legal alternativa de deixar a mesma?

Isto não existe em Portugal, mesmo em Lisboa deve dar para contar pelos dedos (de duas mãos, vá) a quantidade de "racks" instalados para prenderes lá uma bicicleta.

Que vivemos numa sociedade muito "carro-cêntrica" é inquestionável, e por isso, quando nos pomos a comparar com países do norte da europa e a reinvindicar condições semelhantes, acho ridículo.

Eu concordo que a forma como foi feito, não foi a mais acertada, deixar um autocolante/aviso no poste onde removem a bicicleta, tinha sido fixe.

Dito isto, não me parece legítimo amarrar bicicletas (ou trotinetes, ou motas) a postes de electricidade, sinais, o gradeamento que não seja para o efeito.

No momento em que fazem isso, estão a fazer o mesmo que os carros que estão mal estacionados e que rebentam com a mobilidade aos peões e a pessoas com deficiência.
Isso é errado, e para mim é irrelevante se é um carro, uma moto, uma scooter, uma trotinete, uma bicicleta, uma cargobike, uma quad...

E honestamente, não embandeiro na lógica "Ah, mas os carros podem, porque é que nós não", porque os carros estão mal e haviam de ser bem penalizados.

É como o pessoal que larga coisas no átrio das escadas do prédio (bicicletas, trotinetes, carrinhos de bébé) e um dia já mal consegues entrar na porta do prédio porque aquilo se transformou num depósito do que as pessoas não querem carregar para casa (por comodismo e preguiça) mesmo que isso afecte a vida dos demais.

Aqui no prédio, um vizinho começou a usar uma bicicleta no verão, deixava-a no átrio, depois veio o outono e a bicicleta deixou de ter uso, por alí ficou. Pneus vazios, pó.
Um dia perguntaram-me (porque me vêm a usar bicicletas) se aquela bicicleta era minha, que aquilo estava ali a estorvar, e que não tinha jeito nenhum.
A bicicleta desapareceu e o vizinho ainda andou de trombas com a malta. Serviu de exemplo, nunca mais ninguém deixou coisas no átrio.

Qual é a solução para isto? Não sei, se calhar suprimir 1 ou 2 lugares de estacionamento e instalar gradeamento para prender as bikes. Aqui onde moro, há um ano, dois dos lugares de estacionamento foram alocados para pessoas com deficiência. É uma chatice porque os lugares não chegam para a quantidade de carros, há carros estacionados em cima dos passeios, às vezes implica que tenho que deixar o carro estacionado mais longe de casa, mas sinceramente, parece-me justo, aquelas pessoas têm uma necessidade real e moram aqui no bairro...

MAS, como dizia o tio do homem aranha , com poder, (neste caso direitos) vêm responsabilidades, e os utilizadores das racks devem cumprir o que for estipulado, porque já vi alguns desses gradeamentos que parece o faroeste, porque enquanto humanos e seres viventes em sociedade, ainda somos muito egoístas e pouco conscientes de como aquilo que fazemos impacta os outros, como demonstra o exemplo do meu vizinho que descrevi acima.

No global, acho que isto não chega a ser um assunto que justifique a celeuma que está a causar, é mais uma daquelas coisas que o bom senso deveria resolver, mas que vamos exigir que sejam as entidades a providenciar condições (onde houver massa crítica para isso) e que depois as pessoas vão ser pessoas...
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
Vi há tempos um documentário sobre as bicicletas na rua em Holanda (ou assim). A polícia lá tem uma plataforma onde regista as bicicletas que vê na rua. Se as mesmas estiverem lá passado um determinado período de tempo, é deixado um aviso. Passado mais um tempo, se o autocolante de aviso ainda estiver a bicicleta é sinalizada para ser removida.

Parece-me um modelo melhor.

Em locais onde há várias bicicletas na mesma rua, devem ser criadas condições para as estacionar. O mesmo para as motas. Podem muito bem substituir um lugar de automóvel com zonas para se prender bicicletas. Facilmente se acomodam umas 8 a 10 bicicletas!

IMG_7914-scaled.jpg


Agora fazer como é feito (publicitado nas redes sociais) não me parece certo. Haverão bicicletas abandonadas, mas também podem ter sido retiradas bicicletas que são usadas de uma forma regular. Não sei. O processo não me pareceu transparente.

Eu não tenho garagem. Tenho que ter as bicicletas na rua. Felizmente moro num RC com um pequeno canteiro na rua... No qual instalei um suporte em Um invertido para prender as 3 bicicletas. Mas nem todos têm a mesma sorte.
 

Davidoff

Well-Known Member
SOIGNEUR
Se estiverem a cumprir isto acho correto. Há imenso lixo na via pública.
E quem se queixa nas redes que ficou sem bicicleta, que mostre qual era para perceber se era lixo. Concordo que essa limpeza deve ser feita.
 

Ludos

Member
SOIGNEUR
@Aslume não concordo. Já tive muitas interacções com pessoas que como dizes, não saberiam distinguir uma s-works de uma bike do continente, até ao momento em que lhes digo "pegue-lhe lá" (e tenho uma supersix de 2013 com ultegra 10v rodas aksium) e ficam "Elá!!"

Portanto, quem carrega com bicicletas, estará familiarizado e conseguirá diferenciar a qualidade das bikes, mais que não seja pelo factor peso.

Mas nem levo a questão para a qualidade das bikes e serem ou não "lixo", porque isso é subjectivo. O valor está na utilidade que têm.
Tenho pescadores que moram aqui próximo e as bicicletas mais resmengas e rebentadas da vida são o meio de deslocação deles. Não as vejo amarradas na rua, nem largadas ao abandono, e já vos digo que são pessoas com menos poder económico que estes que vemos a queixarem-se de que não têm condições para ter as bicicletas em casa.

Acho que o pessoal que está a debater isto e a alimentar a celeuma nas redes sociais, são utilizadores de bicicletas muito peculiares e com a ajuda de uma pagina de instagram (pelo menos é a que me tem aparecido, @lisboapossivel ) estão a tornar esta dicussão que até considero importante, em altamente enviesado.


Hoje vi este reel. E fiquei atónito. Oferecem-lhe um sitio com tecto onde prender a bicicleta, e ele reclama que aquilo não chega porque não oferece condições de segurança suficiente e roubaram-lhe as bicicletas.

Em casa não tinha condições para ter a bicicleta, assim fica difícil diz ele... alguém que lhe arranje uma solução.

Eu diria para alugar uma garagem, uma arrecadação, carregar com a bicicleta para casa, colocá-la na varanda, ou dentro de casa como estão as minhas...

E Lisboa até as Gira, bicicletas públicas que se alugam, tipo as trotinetes e levas de um lado para outro e deixas na rua, nas estações para o efeito, mas isso a malta também não quer, porque não quer pagar para usar...

Então qual é a lógica disto? Eu curtia andar de kayak, até tenho o Sado aqui ao pé de casa. Mas não tenho onde guardar um kayak. O municipio que me arranje um armazém, ao qual eu tenha acesso nos horários que eu bem entender, para ir la tirar e por o kayak, e que seja próximo de casa e do rio?

E digo kayak para tentar que o exemplo seja o mais ridículo e descabido, mas posso dizer uma moto, uma scooter, uma quad, um kart, um buggy, um descapotável...

Isolam-se histórias, sacam-se de contexto, e depois argumenta-se ridiculamente. Queremos ciclovias, sítios seguros para estacionar as bikes, com video vigilância, mas não queremos pagar licenças, seguros, ou o aluguer de um espaço para a guardar.

Vale a pena recordar que os carros que ficam na rua, também correm o risco de ser roubados, e que acontece de vez em quando... (apesar de ser mais difícil que uma bike).
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
@Ludos Eu também vi esse vídeo.

Mas o que eu entendi da reclamação dele é que:
a) tem que ir todos os anos pedir/renovar a licença para usar o espaço;
b) todas as cameras existentes estão apontadas para o parque de viaturas;

E o que ele pede é que coloquem as cameras a apontar para o parque de bicicletas, para que caso necessário possam ir atrás de quem roubou e com as cameras dissuadam o amigo do alheio. Pede ainda para fecharem a parte cima, pois dá para entrar pelo parque automóvel para dentro do parque das bicicletas.

Reparem que um local fechado da passagem de pessoas é muito mais fácil de roubar do que na rua à vista de todos!
 

Ludos

Member
SOIGNEUR
@cconst reconheço que é possível que exista um vies da minha parte por causa do histórico de publicações dessa página, mas voltei a ver, e não difere muito do que percepcionei antes.

O tipo queixa-se de ter que renovar todos os meses (que é bem mais chato!) o vínculo com a EMEL para fazer uso do bicicletário.
Queixa-se que a EMEL não se responsabiliza. E que o CCTV não cobre a zona das bicicletas, o que faz com que não existam registos para ele poder entregar na policia ao fazer a queixa.
Queixou-se também que deviam fechar o vão superior, porque efectivamente como dizes, deve dar para subir a barreira e passar para o outro lado.

Mas as condições são as que são, estão definidas à priori, ele não paga nada por isso, a EMEL tem tanta obrigação de prestar aquele serviço, como um vizinho que tenha arrecadação onde ele possa guardar a bicicleta...

Da mesma forma que reconhece que não tem condições para ter a bicicleta em casa, com todas as falhas que aponta ao bicicletário, está indirectamente também a demonstrar que ali não há condições para guardar a bicicleta em segurança.

Se os ladrões roubam de garagens e arrecadações de prédios que não tem acesso público, quanto mais de um parque de estacionamento de carros com uma área para o pessoal amarrar as bicicletas...

A EMEL nunca vai querer responsabilizar-se porque senão andava sempre a pagar bicicletas aos utentes.
O roubo de uma bicicleta deve estar lá bem no fundo da lista de prioridades das forças de segurança, portanto, mesmo que houvesse registo de imagens... casos resolvidos e bicicletas encontradas seriam quantos?

Mete bicicletas de topo num sitio de acesso público com CCTV e vais ver se não são roubadas à mesma, não será suficientemente disuasor.

Se calhar se lhe propuserem um serviço de armazenamento da bicicleta, com CCTV, com acessos controlados, com seguro, a troco de uma mensalidade, declinava rapidamente.

Não me parece de fácil solução.

Queres ter coisas que são relativamente fáceis de roubar em segurança? Não facilites e não as deixes em locais de fácil acesso.
Oxalá a sociedade fosse mais civilizada que isso e não fosse necessário ser assim.

E atenção, que eu sou defensor da utilização de bicicleta, e faço-o no meu dia a dia. Não atino é com a argumentação/reinvindicações destes alegados activistas das bikes, porque fazem sempre tudo por comparação ao que existe para os carros, e esquecem-se (convenientemente) que os carros estão constantemente a pagar: IUC, Impostos sobre os combustíveis, seguros, parques de estacionamento, portagens.

Há um texto, alegadamente de um banqueiro, que diz que a bicicleta é terrível para o sistema, que um ciclista é um desastre para economia:

Não faz empréstimos para comprar um carro (isto é debatível, mas ok)
Não paga seguro.
Não compra combustível.
Não paga estacionamento, nem reparações caríssimas.
Não causa grandes acidentes e os danos/reparações consequentes.
Não precisa de auto-estradas construídas propositadamente para a sua deslocação.
E o pior de tudo? Mantém-se saudável por causa da prática de exercício.
Pessoas saudáveis não gastam tanto dinheiro em medicamentos.
Não vão aos hospitais (no nosso registo de SNS isto é positivo, mas para hospitais particulares...)

Para mim, o busilis está mesmo na argumentação do pessoal, e a forma enviesada como argumentam que a sociedade lhes deve dar um conjunto de condições/direitos sem que isso implique responsabilidades.
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
@Ludos apesar da forma de comunicação de reivindicação que o tal caramelo usou (e o qual eu não uso porque não sou pessoa de obrigar outros criarem meios para mim), vejo além disso.

Existem metas para descarbonização. Existem metas para redução de emissões. Existem (alegadas) vontades de promoção de mobilidade suave. E até já se fez alguma coisa. Mas será que o que foi feito pelas entidades públicas até ao momento foi o suficiente?
Vou eliminar do video do caramelo o tem de revindicação e questiono:
- já que se fez a jaula para as bikes, qual o custo acrescido de fazer crescer as grades até acima?
- Já que se instalaram cameras de CCTV, qual o custo de adicionar mais uma?

Não esquecer que a EMEL é uma empresa pública, com fundos públicos. Portanto, não se gere apenas com receitas da fiscalização e do estacionamento. E uma das responsabilidades é a mobilidade. Logo, um morador em lisboa, mesmo que apenas ande a pé, paga para a EMEL prestar um serviço. Porque é que esse serviço deve ser diferenciado?

Só como nota: a EMEL também não se responsabiliza por furtos, danos ou perdas de veículos e respetivos bens no interior dos seus parques de estacionamento. Esta isenção de responsabilidade aplica-se aos parques geridos pela empresa e a informação está geralmente afixada em local visível nos mesmos.
Independentemente da diferença de opiniões que respeito, acho que a EMEL poderia ter tido mais brio. Só isso. Só para ir de acordo com as políticas, que este executivo não prioriza... mas se fazem alguma coisa, não entendo porque não se faz o melhor.

(nota: eu sempre fui apologista de que o maior responsável somos nós e como tal devemos tomar todas as medidas ao nosso alcance para nos protegermos. P.e. os nosso cadeado deve ser o mais dificil de cortar do grupo (uma bike de 1500 eur não pode estar segura com um cadeado de 15 eur). Colocar um tag. Ter a bike com pior aspeto... tornar o nosso bem menos apelativo aos amigos do alheio)
 
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