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Mais uma morte ... até quando isto vai continuar a acontecer?

Trizade

Well-Known Member
SOIGNEUR
Eu vi ontem uma noticia na CMTV dum ciclista que morreu atropelado por uma carrinha de transporte de mercadorias. Acho que era no Algarve...
Pareceu ser uma estrada com boa visibilidade, por isso não consegui perceber bem o que aconteceu...
 

dragomir

Well-Known Member
Às 8:15 da manhã numa zona onde até se costuma ir para fugir à confusão de Lisboa. Ninguém está a salvo disto
 

Trizade

Well-Known Member
SOIGNEUR
Às 8:15 da manhã numa zona onde até se costuma ir para fugir à confusão de Lisboa. Ninguém está a salvo disto

Por essas e por outras é que deixei de andar de bike de estrada para treinar... Pode ser que volte a ter uma de estrada para aos fim‑de‑semana ir para o Montejunto e para participar em GF's... Mas treinar regularmente, agora só mesmo de BTT. Tem sido um descanso mental para mim o BTT. Deixei de ter stresses e preocupações com razias,etc.
Agora é mesmo desfrutar da natureza sem preocupações enquanto treino.
 

Carvalhon

Well-Known Member
SOIGNEUR
Ainda eu acho que o Domingo de manhã é a altura mais tranquila.
Isto na realidade não é só bicicletas, as bicicletas são um dos impactos colaterais aos quais estamos mais atentos, e porque a bicicleta não faz mal a ninguém. Mas provavelmente temos mais probabilidade de de um acidente grave quando saímos para o trabalho de carro, do que quando saímos para a volta de bicicleta.
As desgraças acontecem em todo o lado, seja de carro, bicicleta, mota ou até.
 

fernandes_85

Well-Known Member
As desgraças acontecem em todo o lado, seja de carro, bicicleta, mota ou até
Discordo desta visão como se fosse uma inevitabilidade.
É tudo uma questão de probabilidades. A verdade é que as estatísticas dizem que somos dos países da Europa onde a probabilidade de morrer na estrada, sobretudo peões e ciclistas é das mais elevadas. Maior probabilidade não é uma coisa abstrata, são mais mortes e mais feridos graves e mais famílias desfeitas. A maior probabilidade também não acontece por acaso: resulta de políticas (ou falta delas).
 

tuga

O homem faz o que pode, o destino o que quer...
SOIGNEUR
... resulta de políticas (ou falta delas).
junta-se a isso a tremenda falta de civismo, o pensar em classes, egoismo, o (ainda muito presente) "analfabrutismo", falte de tomates para ações consequentes etc. etc. etc.
Como em tudo na vida, não podemos só ficar a olhar para a política.
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
(para lançar a discussão) sobre estatística... e sei que são dados compilados por IA... mas...

1. Acidentes com Vítimas (por 1.000 habitantes / ano)​

O total de acidentes de viação com vítimas em Portugal ronda os 36.500 a 38.000 por ano, o que dá cerca de 3,5 a 3,6 acidentes com vítimas por 1.000 habitantes.
  • a) Carro (Automóveis Ligeiros): ~2,5 acidentes por 1.000 hab. (envolvidos em ~70–73% do total de acidentes).
  • b) Moto (Motociclos): ~0,85 acidentes por 1.000 hab. (cerca de 8.900 a 9.000 acidentes/ano).
  • c) Bicicleta (Velocípedes): ~0,25 a 0,3 acidentes por 1.000 hab. (cerca de 2.800 a 3.000 acidentes/ano).

2. Mortes por Acidentes (por 1.000 habitantes / ano)​

O número total de vítimas mortais em acidentes rodoviários em Portugal situa-se entre 460 e 480 mortes por ano. O total geral é de cerca de 0,045 mortes por 1.000 habitantes (ou 4,5 mortes por 100.000 hab.).
  • a) Carro: ~0,020 mortes por 1.000 hab. (2,0 por 100.000 hab. — aprox. 210 a 220 mortes/ano de ocupantes de ligeiros).
  • b) Moto: ~0,012 mortes por 1.000 hab. (1,2 por 100.000 hab. — aprox. 120 a 125 mortes/ano em motociclos).
  • c) Bicicleta: ~0,0025 mortes por 1.000 hab. (0,25 por 100.000 hab. — aprox. 25 a 26 mortes/ano).
  • d) Atropelamento (Peões): ~0,0065 mortes por 1.000 hab. (0,65 por 100.000 hab. — aprox. 65 a 70 mortes de peões/ano).

Logo, sair de bicicleta é mais seguro que sair de carro. Aliás, andar a pé é mais seguro!

Mais:

Taxa de Taxa de Letalidade (Mortes por Acidente)​

Quando analisamos a probabilidade de um acidente resultar em morte (Letalidade = Mortes / Total de Acidentes), o cenário altera-se substancialmente:

Métrica (Dados ANSR)Automóveis LigeirosVelocípedes (Bicicleta)
Acidentes por ano com vítimas~26.000 a 27.000~3.000 a 3.200
Vítimas Mortais~210 – 220~25 – 26
Taxa de Letalidade~0,8% (8 mortes por 1.000 acidentes)~0,8% a 0,9% (8 a 9 mortes por 1.000 acidentes)
Feridos Graves por Acidente~3,5%~5,0% (160+ por ano)

@fernandes_85 a estatística está aí!

A minha interpretação dos números é que é mais seguro deslocar-me de bicicleta! Mas a minha percepção é que não o é! Mesmo eu na bicicleta adoptando uma condução defensiva, com o radar da Garmin para antever viaturas a aparecerem, tenho receio de andar na estrada de bicicleta. Mas tenho o direito de lá andar. E sinto que devo lá andar. E irei continuar a andar (assim como ando de mota :D).

Nota final:
O caso muda de figura se em vez de comparar por 1000 habitantes, comparar por utilizadores de cada um dos meios:

Mortes por 1.000 Utilizadores de cada Meio / Ano​

Aplicando o mesmo raciocínio às vítimas mortais anuais:

Meio de TransporteMortes / AnoN.º Estimado de UtilizadoresMortes por 1.000 Utilizadores
a) Carro~215~5.800.000~0,037 mortes por 1.000 utilizadores (0,37 por 10.000)
b) Moto~122~550.000~0,222 mortes por 1.000 utilizadores (2,22 por 10.000)
c) Bicicleta~25~175.000~0,143 mortes por 1.000 utilizadores (1,43 por 10.000)

E isto:

1. Com Veículos Motorizados Envolvidos (Colisões)​

  • Proporção: ~80% a 85% das mortes de ciclistas.
  • Número aproximado: 20 a 22 mortes por ano.
  • Interveniente principal: O automóvel ligeiro é o veículo envolvido na grande maioria destes acidentes fatais (seguido por veículos pesados e motociclos).
  • Cenários mais comuns:
    • Colisões por ultrapassagem (não cumprimento da distância lateral de segurança de 1,5m).
    • Atropelamentos em cruzamentos/entroncamentos e rotundas por falta de cedência de passagem.
    • Colisões traseiras em vias fora das localidades (onde as velocidades dos carros são mais elevadas).

2. Sem Outros Veículos Envolvidos (Despistes / Quedas / Obstáculos)​

  • Proporção: ~15% a 20% das mortes de ciclistas.
  • Número aproximado: 3 a 5 mortes por ano.
  • Cenários mais comuns:
    • Despistes e quedas graves em descidas acentuadas ou em piso irregular/escorregadio.
    • Embates contra obstáculos fixos (railes de proteção, postes, árvores ou passeios).
    • Problemas de saúde súbitos (ex.: paragem cardiorrespiratória) que causam a queda fatal.

Ou seja, se existirem menos carros e mais bicicletas, os números começam a inverter-se.
 

fernandes_85

Well-Known Member
@cconst julgo que falta ai o dado mais importante e que já vi representado em quadro em alguns sítios que é o cruzamento dos diferentes meios de transporte com o nº de mortes.
A título de exemplo: https://prp.pt/seguranca-dos-motociclos-desafios-e-solucoes-na-europa/

Isto é, por exemplo o meio de transporte a pé por si só obviamente terá sempre um º de mortes baixíssimo. O cruzamento deste meio de transporte com outro é que pode resultar em mortes ou feridos com estatística relevante. Para a bicicleta igual.
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
@fernandes_85 mas está!
Bicicletas com viaturas motorizadas, resulta em 80 a 85% de morte para ciclistas
Bicicletas sem viaturas motorizadas... os restantes 20 a 15%.

E isto efetivamente conta a historia toda: os carros são o problema. Sem eles, a taxa de letalidade ao andar de bicicleta era muuuuuuuito reduzida. Motivo pelo qual eu - enquanto utilizador de bicicleta - não defendo a obrigatoriedade do capacete (p.e.).
 

Carvalhon

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SOIGNEUR
Discordo desta visão como se fosse uma inevitabilidade.
É tudo uma questão de probabilidades. A verdade é que as estatísticas dizem que somos dos países da Europa onde a probabilidade de morrer na estrada, sobretudo peões e ciclistas é das mais elevadas. Maior probabilidade não é uma coisa abstrata, são mais mortes e mais feridos graves e mais famílias desfeitas. A maior probabilidade também não acontece por acaso: resulta de políticas (ou falta
E isto efetivamente conta a historia toda: os carros são o problema. Sem eles, a taxa de letalidade ao andar de bicicleta era muuuuuuuito reduzida. Motivo pelo qual eu - enquanto utilizador de bicicleta - não defendo a obrigatoriedade do capacete (p.e.).
É isto mesmo, não devia ser uma inevitabilidade, mas acaba quase por ser, face ao comportamento existente em Portugal dos condutores de automóveis, nos quais quase todos nós nos incluímos. Onde há carros há acidentes, as bicicletas são apenas mais um dos impactos colaterais.
E sinceramente a tendência deve ser para piorar, a sociedade tem cada vez menos paciência, está sempre com pressa, as distrações, etc... as leis/multas podem mudar, mas vai ser muito complicado a coisa melhorar.
 

armenioga

Member
Um morto em colisão entre bicicleta e carro em Sobral de Monte Agraço

Mais um... Que descanse em paz.

O que me continua a fazer confusão é a forma como o titulo da notícia é colocado. "Colisão entre bicicleta e carro"... Retirando o ónus de culpa de qualquer uma das partes.

Eu nesta altura deixo de andar de bicicleta, devido ao trabalho e porque é nestas alturas existe mais perigo na estrada, por estes lados.. em Setembro ja acalma as coisas, ja estou de regresso..
 

{the_crow}

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SOIGNEUR

{the_crow}

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